Há um sonho a comandar Maicon nesta fase em que vive o melhor momento da carreira: o central joga com os olhos postos na seleção brasileira. É esse o objetivo pessoal imediato e, por isso, está apostado em deixar de vez a lateral-direita em que Vítor Pereira o tem colocado de forma sucessiva, para se fixar no meio, posição que acredita lhe pode abrir as portas da canarinha. "Ele já me disse isso. Acredita que pode lá chegar e joga com esse objetivo", contou o irmão Muller a O JOGO, desde Porto Alegre, cidade para onde se mudou para jogar no Internacional. Também central, Muller jogou em Portugal no Mirandela e no Oliveira do Douro.
Para Maicon, a seleção não é "apenas" um sonho. Está fixado nela e pensa chegar lá a tempo do Mundial de 2014, realizado precisamente no Brasil. "Falamos três a quatro vezes por semana e ele está sempre a dizer-me isso", reforça Muller.
Lúcio, central do Inter, é o ídolo do portista e aquele com quem deseja fazer dupla. "Também gosta do Thiago Silva, do Milão, mas prefere o Lúcio. É fã dele há muitos anos", aponta o irmão. "Mas o sonho do Maicon não é jogar com nenhum desses, mas sim ao meu lado", brinca, embora reforçando que esse é um plano sério que os dois começaram a desenhar na infância.
Se há momento em que pode pensar na canarinha é este. Maicon vive em estado de graça no FC Porto e o carinho recebido durante todo o dia de ontem só o confirma. Para almoçar foi um grande problema, pois no restaurante escolhido todos quiseram felicitá-lo. Descansar só mesmo na praia que escolheu para passear à tarde. Depois de um jogo memorável, o brasileiro não podia ficar em casa, mesmo depois de se ter deitado apenas às 6h00, três depois de ter chegado ao Porto. As saudades da esposa, Úrsula, e a vontade de saber tudo sobre a vitória que ele próprio garantiu prenderam-no ao sofá. O golo, esse, reviu-o pela internet mal entrou no autocarro para abandonar a Luz. O sono é que saiu prejudicado. Maicon não pregou olho durante a viagem, à semelhança dos colegas, pois a euforia e os festejos da vitória fizeram sentir-se durante os 300 quilómetros que separam Lisboa do Porto.
Nessa fase já tinha atendido o telefone a quem lhe ligou a dar os parabéns. Não foram assim tantos, pois mudou há pouco tempo de número, mas os mais importantes fizeram-se ouvir: primeiro a mulher, depois os pais, que vibraram na pequena cidade de Planura.
Jornal "O Jogo"

