Ao terceiro ano no FC Porto, a primeira entrevista. MAICON não tem tiques de vedeta. O golo ao Benfica fê-lo saltar definitivamente para a ribalta e entender a dimensão do que é ser jogador do FC Porto. Vencer em casa do Benfica é um prazer especial, admite, e diz ter sido a prova em campo do estatuto de melhor equipa portuguesa que Jorge Jesus reclamou para a sua algumas vezes. Ele é também a prova de que a persistência pode vencer a crítica
Maicon não hesita quando fala e assume sem rodeios sonhos que há alguns meses poderiam parecer brincadeira. Em estado de graça, contesta quem diz que a época não está a ser boa e defende com toda a força o clube que deseja, um dia, capitanear. O problema, garante, foi a fasquia colocada na época passada...
Sem dúvida. Valeu uma vitória que nos levou à liderança isolada e foi o meu primeiro num clássico. Vai ficar marcado na minha vida. Sonhei com isto durante toda a carreira. Estou numa fase excelente. Os meus colegas e os treinadores têm-me apoiado ao máximo e isso ajuda bastante.
Acho que sim. Estou numa fase muito boa. Tenho feito boas exibições, não só eu como a equipa toda. Apanhei o FC Porto num momento crescente. A equipa está agora muito compacta e todos estão a ajudar.
Sim. Agora senti mesmo o que é ser jogador do FC Porto. Para um defesa é mais difícil ser estrela...
Desde a época passada, e mesmo noutras anteriores, eles dizem que são os melhores. O FC Porto não tem de falar, mas sim trabalhar. Estamos a mostrar dentro de campo, e já ao longo de muitos anos, quem são os melhores. Acho que o FC Porto está num momento muito bom.
Pegaram um pouco pesado connosco. A equipa estava num momento de adaptação. Houve uma mudança de treinador, que ao longo do tempo foi acertando, e graças a Deus encontrou a equipa ideal. Ele está com o grupo e o grupo está todo com ele. As críticas são naturais, porque no ano passado fizemos uma época inesquecível.
Não. Somos os mesmos. São fases. Nem sempre tudo dá certo. Há jogos difíceis e, por termos feito uma época tão boa no ano passado, os adversários estão mais preocupados connosco e jogam mais recuados. Isso prejudica-nos.
Sim. As equipas defendem do meio para trás e roubam-nos espaços. Isso prejudica o futebol da nossa equipa.
O futuro só Deus sabe. Vamos dar o melhor e, se depender de mim, dos colegas e treinadores, os adeptos podem esperar muito trabalho. Depois desta vitória, só pensamos no título. Mas, como Hulk disse, temos nove finais.
Todas. Não faço distinção. Todas as equipas terão receio do FC Porto, porque sabem que estamos num momento bom.
Eu procuro fazer o meu trabalho. Não tinha perdido quando saí da equipa, mas respeito as opções do antigo treinador. Só tenho de lhe agradecer as oportunidades que me deu. Graças a Deus dei a volta por cima e consegui novamente o meu lugar.
É uma opinião do treinador. Ele tentou o melhor para a equipa. Eu continuei firme e a trabalhar até aparecer nova oportunidade. Quando chegou, agarrei-a com unhas e dentes.
Claro que não! Mesmo não estando a jogar, o FC Porto sempre me apoiou bastante e acreditou no meu potencial. Isso foi fundamental.
Também tive problemas fora de campo. Tive um divórcio muito conturbado e isso prejudicou-me. Além de várias lesões no tornozelo. Nada que me possa desculpar. Se joguei mal foi por minha culpa, mas,se não aconteceu o melhor, não foi por não querer. Porém, dizem que joguei mal na época passada e só perdi um jogo como titular. Dei a volta e agora, junto com a equipa, estamos em grande.
A crítica só me fez crescer e ajudou-me a chegar onde cheguei. Soube absorver as críticas e dei a volta por cima. As críticas vieram por bem e em nenhum momento fiquei chateado.
Não, claro que não. Ele não teve culpa de nada. O futebol tem fases. Na época passada conquistámos tudo e claro que a cobrança agora iria ser maior. Está a fazer um bom trabalho e toda a gente vê que está a crescer a cada jogo.
Não. Clássico é clássico, mas preparámos como qualquer jogo. Claro que tem um sabor especial...
Sem dúvida que nos ajudou e deu-nos mais ânimo para ir jogar lá. Há 12 dias eram líderes, com cinco pontos de avanço. Depois ficaram iguais e sabíamos que se ganhássemos teríamos três de avanço. Isso foi importante para nós.
Com toda a certeza. Provámos isso dentro de campo.
Todas as equipas têm medo de jogar com o FC Porto. Independentemente de ser casa ou fora. Todos respeitam o FC Porto.
Com certeza. Sem dúvida que, nos últimos jogos, [o Estádio da Luz] tem sido um um lugar muito bom para festejar.
Jornal "O Jogo"

