Fábio Espinho, o idealista da equipa

26 de Agosto de 2012

Estamos no ano 2012, d.c. Uma vila de irredutíveis moreirenses resiste ao avanço das desalmadas tropas do futebol capitalista. Neste reduto inexpugnável, perdido no Minho português, há personagens a desafiar o normal curso do argumento desportivo. O triunfo frente ao Nacional candidato europeu é a revolta de uma tribo apaixonada e decidida a opor-se ao império dos milhões. 

Com a devida vénia ao génio de Uderzo e Goscinny, há muito de gaulês irrascível neste Moreirense de Jorge Casquilha. Logo a começar pelo avançado francês, uma espécie de druida do golo, sem as barbas de Panoramix. 

Nabil Ghilas é o portador da receita para a poção mágica. Agita, mistura, confunde, é inclemente no confronto com a defesa adversária. O primeiro golo nasce da assistência de Ricardo Pessoa e o segundo de um remate de Fábio Espinho, defendido para a frente por Gottardi.

Fábio Espinho é, precisamente, o idealista da equipa. O mais inteligente dos cónegos, a quem o papel de Asterix assenta na perfeição. Adora ter a bola, não para um segundo e esteve em tudo o que de bom este Moreirense conseguiu. 

As forças nacionalistas chegaram emproadas, cientes de uma superioridade teórica que, de facto, jamais foi real. O início dos homens de Caixinha foi tenebroso, provavelmente surpresos pela tremenda devoção encontrada do outro lado da paliçada. 

O tal golo de Ghilas surgiu de um instante para o outro, Pintassilgo atirou ainda ao poste e Fábio Espinho ameaçou num pontapé cruzado. Não fosse tudo isto suficiente para atazanar o Nacional, Mexer foi expulso à passagem do minuto 35 e toda a estratégia insular ruiu inapelavelmente.

Os gládios das legiões invasoras enferrujaram, tornaram-se inofensivos, deixaram de ser uma ameaça séria (se é que alguma vez o foram). A mortandade disseminou-se sem paralelo nas fileiras do Nacional e outro nome se elevou antes do final do jogo. 

O corpulento Diego Gaúcho, sem menir às costas, subiu mais alto do que todos os outros e cabeceou sem remédio para Gottardi. Obelix, pois claro, com tanto de ingénuo (ai aquelas perdas de bola!) como de poderoso. 

Não é banda desenhada, é futebol real, e só por isso houve direito a uma celebração tardia para os romanos. Perdão, para os nacionalistas. Isael, o mais bravo centurião da Choupana, aproveitou uma distração para bater Ricardo Ribeiro num forte pontapé de pé direito. 

A Liga ainda agora começou, é certo, mas já se pode avançar uma projeção inabalável: lá chegará o dia em que o céu (resultadista) poderá desabar sobre o Moreirense mas, como diria o chefe Abraracourcix, amanhã não é a véspera desse dia.

 Fonte: MaisFutebol.iol.pt

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