Estamos no ano 2012, d.c. Uma vila de irredutíveis moreirenses resiste ao avanço das desalmadas tropas do futebol capitalista. Neste reduto inexpugnável, perdido no Minho português, há personagens a desafiar o normal curso do argumento desportivo. O triunfo frente ao Nacional candidato europeu é a revolta de uma tribo apaixonada e decidida a opor-se ao império dos milhões.
Com a devida vénia ao génio de Uderzo e Goscinny, há muito de gaulês irrascível neste Moreirense de Jorge Casquilha. Logo a começar pelo avançado francês, uma espécie de druida do golo, sem as barbas de Panoramix.
Nabil Ghilas é o portador da receita para a poção mágica. Agita, mistura, confunde, é inclemente no confronto com a defesa adversária. O primeiro golo nasce da assistência de Ricardo Pessoa e o segundo de um remate de Fábio Espinho, defendido para a frente por Gottardi.
Fábio Espinho é, precisamente, o idealista da equipa. O mais inteligente dos cónegos, a quem o papel de Asterix assenta na perfeição. Adora ter a bola, não para um segundo e esteve em tudo o que de bom este Moreirense conseguiu.
As forças nacionalistas chegaram emproadas, cientes de uma superioridade teórica que, de facto, jamais foi real. O início dos homens de Caixinha foi tenebroso, provavelmente surpresos pela tremenda devoção encontrada do outro lado da paliçada.
O tal golo de Ghilas surgiu de um instante para o outro, Pintassilgo atirou ainda ao poste e Fábio Espinho ameaçou num pontapé cruzado. Não fosse tudo isto suficiente para atazanar o Nacional, Mexer foi expulso à passagem do minuto 35 e toda a estratégia insular ruiu inapelavelmente.
Os gládios das legiões invasoras enferrujaram, tornaram-se inofensivos, deixaram de ser uma ameaça séria (se é que alguma vez o foram). A mortandade disseminou-se sem paralelo nas fileiras do Nacional e outro nome se elevou antes do final do jogo.
O corpulento Diego Gaúcho, sem menir às costas, subiu mais alto do que todos os outros e cabeceou sem remédio para Gottardi. Obelix, pois claro, com tanto de ingénuo (ai aquelas perdas de bola!) como de poderoso.
Não é banda desenhada, é futebol real, e só por isso houve direito a uma celebração tardia para os romanos. Perdão, para os nacionalistas. Isael, o mais bravo centurião da Choupana, aproveitou uma distração para bater Ricardo Ribeiro num forte pontapé de pé direito.
A Liga ainda agora começou, é certo, mas já se pode avançar uma projeção inabalável: lá chegará o dia em que o céu (resultadista) poderá desabar sobre o Moreirense mas, como diria o chefe Abraracourcix, amanhã não é a véspera desse dia.
Fonte: MaisFutebol.iol.pt

