Os miudos de Rui Vitória continuam a brilha e a assumir-se como o motor da equipa. Baldé e André marcaram no triunfo por 2-0 sobre o Olhanense, mantendo a turma vitoriana perto dos lugares europeus. Um autêntico milagre num conjunto que parece viver à margem da acentuada crise financeira do clube - apesar de ser publico que os problemas da tesouraria se traduzem em três meses de ordenado em atraso no plantel.
André é a última grande conquista do treinador. O filho da António André, campeão europeu em 1987 pelo FC Porto e um dos jogadores perpetuados na história dos dragões pela sua longa dedicação ao clube, há muito que se libertou das amarras do pai e do sempre pesado fardo das comparações. Fez-se jogador do Varzim, numa geração de talentos que deu ao futebol português nomes como Neto e Yazalde, amigos do peito do médio. Pelo meio, conheceu uma breve aventura nos Bês do Deportivo da Corunha.
O Salto para Guimarães foi a derradeira aposta no lançamento da carreira. Num clube em que a massa associativa não perdoa o erro, André começou tímido, mas com lugar cativo no onze. Uma sequência de resultados menos bons determinou a decisão de Rui Vitória de o proteger e mantê-lo numa zona de conforto. Frente à Académica e Vitória de Setúbal foi suplente utilizado, mas o técnico nunca perdeu a confiança num 9 que por força da ausência de soluções teve de se converter no patrão do meio-campo, com responsabilidades, também, na construção do jogo ofensivo.
O primeiro golo marcado na Liga, as exibições personalizadas e pejadas entusiasmo que vem assinando (esteve em todos os desafios do campeonato), auguram-lhe um futuro promissor. Para já, conquistou o presente e o direito a ser um dos senhores do castelo.
Jornal "A Bola"

